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A ópera e seus fatos pitorescos 

CASSIANO FERNANDEZ 

Quando um leigo se depara pela primeira vez, mesmo que por acaso, ouvindo uma ária famosa, com o belíssimo movimento musical, geralmente qual seria sua reação? Torcer o nariz e, se for um soprano que estiver cantando, completaria o “quadro” exclamando: “Nossa! Como essa mulher grita!” O problema é que o “grito” na verdade trata-se de emissão de notas musicais através do uso vocal.

Aos grandes críticos do assunto, incomoda esse tipo de comentário por parte dos leigos.

Mas que obrigação têm os leigos, partindo do princípio de que são exatamente isso, de entender algo sobre o referido assunto? Para entender e gostar de ópera, ao contrário do que erroneamente se pensa, não é necessário ter-se uma educação musical eruditíssima, ter sido “criado” dentro de um teatro lírico ou de um conservatório, e sim é necessário apenas que se tenha gosto pela música, pois é a partir daí que pode se formar o requerido conhecimento para que atuais leigos tornem-se grandes críticos no futuro.

Outro fato jocoso dentre os muitos que envolvem a ópera é a capacidade que a mesma tem de ser repelente às classes populares. Mas a que isso se deve? Será que a educação no Brasil é precária ou as artes líricas foram realmente feitas para as elites?

É com base nessas perguntas que acho que se deveria fazer uma pesquisa sobre o que é a ópera para a maioria dos brasileiros e, baseando-se nos resultados da mesma, obter respostas para mais duas perguntas: O brasileiro em geral não gosta desse tipo de expressão musical? Ou nunca foi devidamente estimulado por uma possível falha na formação? Para então, no fim da pesquisa, já com os resultados nas mãos, ser possível achar um modo de derrubar o enorme e secular tabu em que a referida arte está envolta.

***

O que significou para o mundo da ópera a morte de Luciano Pavarotti?

Ele começou de baixo, como um simples caminhoneiro. Não sei bem quais foram os motivos e os caminhos que o levaram a optar pela carreira lírica, mas fato é que conseguiu atingir um patamar destacado no meio profissional em questão, devendo-se a isso o fato de ter sido o mentor de várias idéias, responsáveis em grande parte por revolucionar a ópera.

Mas por outro lado, Luciano, em minha opinião, é deficiente enquanto profissional, baseando tal opinião na seguinte premissa: A natural baixa qualidade de sua voz, ficando claro que, quando digo “baixa qualidade” estou diretamente me referindo ao descontrole vocal que já possuía desde o início, de forma quase imperceptível, e que fora agravado pela tuberculose que o acometeu quando já estava entrando na meia-idade.

É muito interessante pensar sobre esse aspecto partindo do seguinte fato: Toda pessoa a quem dou essa opinião, digamos reprovando em parte o profissionalismo de Luciano, costuma na grande maioria das vezes assustar-se e retrucar assim: “Como pode? Pavarotti é maravilhoso! É um dos  três tenores, sendo dessa forma impossível que sua observação relativa a ele seja plausível”.  Por aí percebo que sua imagem está envolta em  falsos mitos e diretamente ligada ao fato de ser um dos três tenores.

Porém, se analisarmos a história por um outro ângulo, perceberemos que realmente a morte de Luciano foi uma grande perda para o universo lírico, no sentido de que, como já foi dito acima, ele foi um dos poucos que se preocuparam e se propuseram a levar essa arte por século tão elitizada ao povo. De modo que, ao meu ver, devemos reverenciá-lo, não só por esse, mas por vários outros feitos brilhantes em prol da popularização da ópera.