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O Globo, 07/07/2003:

Pela cidadania

MERVAL PEREIRA

Vou dar razão às reclamações do Marcio Moreira Alves e esquecer, pelo menos hoje, a política dos políticos para falar de política no sentido mais amplo do termo, falar do que está acontecendo na vida real, em entidades dedicadas a melhorar a qualidade de vida e a defender a cidadania de deficientes físicos.

A luta pelos direitos de cidadania dos deficientes também é a razão de ser do Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (IBDD), que na última sexta-feira deu posse a um Conselho Consultivo que reúne pesos pesados como o ex-presidente José Sarney (que também faz parte do Conselho do Sarah); Carlos Lessa, presidente do BNDES; o empresário Eurico Carvalho da Cunha; o jornalista Marcos Sá Corrêa e Hélio Mattar, empresário e presidente da Fundação Abrinq.

O Instituto existe há cinco anos e, segundo sua fundadora, Teresa Costa D’Amaral, “é uma instituição totalmente diferente das que existiram até hoje, não só por que não atuamos nas áreas tradicionais de assistência, educação e saúde, mas também por que temos uma proposta de política social”.

O IBDD trabalha em três setores: Direitos, Trabalho e Esportes. “Nós queremos atender o deficiente tanto no plano pessoal, dar a ele uma perspectiva de transformação de vida, quanto no plano institucional, trabalhando por uma mudança política m esmo, aperfeiçoando a legislação”.

Para mostrar o respeito pela cidadania dos deficientes, no IBDD ninguém espera na fila para ser atendido. O IBDD atendeu no ano passado mais de 3.500 deficientes, tratando de inserção profissional, defesa dos direitos e profissionalização. Na área de esportes, tem resultados admiráveis como as três medalhas de ouro e uma de bronze nas Paraolimpíadas de 2000, fora várias competições nacionais e internacionais.

Teresa, filha do jornalista Odylo Costa, filho e que teve uma irmã deficiente, é uma velha lutadora pelos direitos de cidadania dos deficientes. Trabalhou no Palácio do Planalto no governo Sarney, ocasião em que teve papel preponderante para fazer aprovar a lei pioneira que dá aos deficientes acesso a escolas, empregos, serviços. Mas a lei, em vigor desde 89, “não pegou”, como várias outras no Brasil. Por isso uma das missões do IBDD é promover essa mudança política, fazendo as leis que beneficiem os deficientes terem validade prática.

 
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