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Item: IBDD - Notícias

Não se pode perder essa oportunidade!

DENISE FROSSARD

Neste ano de 2007 serão realizados no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, os Jogos Pan-americanos. Logo a seguir, no mesmo local, serão realizados os jogos Parapan-americanos, que reúnem os atletas com necessidades especiais.

O Rio de Janeiro recebeu a honra - e também a responsabilidade - de conjugar os eventos num exemplo de beleza, de acúmulo de informações e de competência. Mas, ganhou também a oportunidade de observar e cuidar mais de perto de um tema que as cidades deixam na fronteira da boa intenção e da retórica, que é o cuidado com as pessoas com necessidades especiais.

O Parapan-americano demonstrará que em nada e por nada as pessoas com necessidades especiais são diferentes de todas as demais pessoas.

Houve uma situação, no curso da minha vida como Deputada Federal, que me fez prestar mais atenção a este tema e verificar que tudo pode ser mais fácil para as pessoas com necessidades especiais, se pelo menos os governos compreenderem que rigorosamente em nada elas são diferentes. O erro dos governos - e de muita gente - é pensar que elas são diferentes.

Acompanhem o meu raciocínio e verão que eu tenho razão. Vejam, do mesmo modo que uma pessoa gorda gostaria, para o seu conforto, que as cadeiras dos aviões fossem mais largas ou uma pessoa com pernas longas preferiria que a distância entre as cadeiras dos cinemas fosse maior, assim também uma pessoa que caminha com cadeiras de rodas; do mesmo modo que alguém com vista cansada gostaria que as letras das obras que lê fossem maiores ou que as luzes dos salões de leitura ou dos escritórios fossem mais fortes, assim também quem enxerga com as pontas dos dedos ou escuta a partir de sinais. Estas pessoas apenas e tão somente necessitam de equipamentos próprios para tocar a vida sem dependência humilhante. Não se pode mais trabalhar com a idéia de que ajudar um cego a atravessar uma rua é uma boa ação premiada com um lugar no céu. Ora, uma pessoa que não enxerga ou que anda sobre rodas, tem o mesmo direito constitucional das demais pessoas de ir e vir em segurança.

Cabe aos governos garantir isso, do mesmo modo como exigem de todas as pessoas o cumprimento de suas obrigações fiscais.

Hoje, quando eu ando pelas ruas das grandes cidades, vez por outra me imagino na posição de uma pessoa com necessidades especiais e confirmo o quanto é difícil a situação delas, exatamente porque os administradores públicos não compreendem que elas são exatamente iguais a mim e a todas as demais pessoas em direitos e deveres.

Ora, pra quê existem as escadas? Porque é impossível exigir do ser humano que ele alcance, aos saltos, os lugares altos. É a mesma lógica das rampas para aqueles que caminham sobre rodas. Por que os sinais de trânsito têm luzes de cores diferentes? Porque são sistemas de comunicação com quem consegue ver as cores. É a mesma lógica de comunicação dos sinais sonoros para os que não têm a visão.

Tenho certeza de que o PAN e o PARAPAN marcarão para sempre e positivamente a vida da população do Brasil e em especial do Rio de Janeiro, que tem a chance de ser transformada numa ínsula exemplar de facilidade para as pessoas portadoras de necessidades especiais, sejam elas atletas ou não.

Este é mais um convite à reflexão, com as coisas nos seus devidos lugares.