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João Carlos Farias, do IBDD, realizando a avaliação de acessibilidade do shopping
Acessibilidade no BarraShopping
IBDD faz visita de avaliação e constata interesse da administração
RODRIGO FROLICK
Preocupado com a questão do acesso de todos os públicos, o BarraShopping convidou o Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD) para fazer uma avaliação de acessibilidade em suas dependências. O shopping está reformando seu interior para oferecer mais conforto aos seus clientes, contabilizados em 1,7 milhão de pessoas por mês, e quer permitir que todos tenham igual acesso em seus espaços.
Durante um dia, a convite do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) da empresa, um profissional do IBDD inspecionou as instalações, desde rampas a elevadores, extintores de incêndio e condições de acessibilidade dos banheiros e outros locais. Ao final, foram apresentadas soluções para que o complexo BarraShopping – que inclui o New York City Center - se torne totalmente acessível para os deficientes.
Após o término da visita, Ana Paula Alves, supervisora de atendimento ao cliente e que acompanhou de perto toda a visita de avaliação de acessibilidade, contou como foi a experiência e em que a inspeção vai contribuir para futuras mudanças.
Rodrigo Frolick – O que mudou na sua concepção depois da visita de avaliação de acessibilidade?
Ana Paula Alves – Mudou na verdade tudo. A visão que eu tinha era daquilo tudo perfeito, sabendo que tem sempre ajustes para fazer. E agora eu vi que têm partes que realmente precisam de uma melhorada. Não é aquela que é o foco, às vezes coisas mais simples, que a gente pode adaptar e possibilitar um espaço melhor para o público, para receber melhor o deficiente físico ou qualquer pessoa com qualquer tipo de limitação. Então a gente quer isso, quer oferecer realmente esse tipo de conforto, e a visão agora mudou muito. Agora eu vejo com um olhar mais crítico, entendendo um pouco melhor como funciona cada coisa, qual é a dificuldade que as pessoas passam para ter acesso. Às vezes uma simples calçada, um banheiro, a dificuldade que ela tem de ter acesso àquele banheiro, às vezes ele não está, de certa forma, tão acessível. Tem toda uma estrutura, mas o que eu preciso melhorar agora? Agora, realmente os pensamentos estão aqui, borbulhando. Na verdade, tem muita coisa.
Rodrigo – O BarraShopping já tinha essa preocupação com acessibilidade ou isso surgiu agora?
Ana Paula – A gente sempre buscou atender de alguma forma, tanto que na reforma foram feitos os banheiros adaptados, só que não tinha essa coisa tão concreta. A gente achava que estava indo por um caminho correto. O caminho não era errado, mas precisava adaptar muita coisa.
Rodrigo – Como surgiu a idéia de chamar o IBDD para fazer essa visita de acessibilidade no shopping?
Ana Paula – Isso foi surgindo até com as próprias reformas, quando tudo foi se adaptando, os banheiros foram adaptados. Às vezes, uma necessidade que a gente vê com um cliente, como o caso de eu ter conduzido o cliente até o estacionamento, de sentir diferença na própria rampa, e eu comecei a me questionar. Tudo que vem dos próprios clientes, o retorno que eles dão para a gente e essa coisa mesmo da conscientização da idéia, da administração mesmo. Antes já tinha um certo conceito, mas agora vamos buscar uma coisa certa, a gente quer trilhar um caminho, não quer mais ficar no que achamos que está correto.Queremos estar na maneira correta realmente, buscando melhorias nesse sentido.
Rodrigo – Você acha que com essa reformulação, tem como mudar a mentalidade das pessoas, tem como elas terem uma conscientização maior em relação à pessoa com deficiência?
Ana Paula – Eu acho que tudo é possível, além de ser muito necessário. Então, já que é necessário, temos que buscar uma maneira. Tem que ter uma forma de fazer isso. Eu acho que só a partir desse momento, em que se tem um trabalho de conscientização, é que é possível sentir mais conforto até com a estrutura que se está montando. Não adianta termos uma estrutura de pessoas e funcionários, ou clientes, que não estejam tão engajados nesse trabalho. Aí, eu acredito que a coisa não funcione muito não. Então, é por isso que esse trabalho de conscientização possibilita que façamos isso, selando assim uma parceria. Até um dia você chegar e não estacionar irregularmente, não usar um banheiro não adaptado ou um acesso feito de maneira inadequada.
Rio, 26 de abril de 2008 |