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Paraolimpíadas 2008
Seleção de Fut-7 é bronze na Ucrânia
IBDD marca presença com três jogadores e quatro integrantes da comissão técnica
PAULO VITOR FERREIRA
A Seleção Brasileira de Futebol de Sete (para atletas com paralisia cerebral) terminou em terceiro lugar no Torneio Internacional da Ucrânia, realizado entre os dias 2 e 9 de maio. Os donos da casa foram campeões e o Irã conquistou a medalha de prata. Atleta do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Wânderson foi eleito o melhor jogador da equipe. Ele recebeu do presidente do Comitê Paraolímpico ucraniano, Valery Sushkevych, um relógio Rolex por seu fantástico desempenho na competição, disputada no modelo de pontos corridos. O zagueiro Antônio, o volante Zeca, o treinador Paulo Cruz, o preparador físico Marcel Maciel, a simpática fisioterapeuta Márcia Fernandes e o intérprete Matias Costa também fizeram parte da vitoriosa delegação. Eles são profissionais do IBDD e Matias é o gerente de esportes da ONG.
No mundial de Fut-7, realizado na Vila Militar do Rio em novembro do ano passado, a Rússia, que não participou do Torneio da Ucrânia, sagrou-se campeã. O Irã foi vice, a Ucrânia levou o bronze e o Brasil ficou em quarto lugar.
A Seleção Brasileira ainda foi prata nos Jogos de Atenas-2004 e ouro no Parapan do Rio-2007.
Classificação do Torneio Internacional da Ucrânia:
1º Ucrânia
2º Irã
3º Brasil
4º Holanda
5º Grã-Bretanha
6º China
Resultados da Seleção Brasileira:
Brasil 2 x 5 Ucrânia
Brasil 10 x 1 China
Brasil 1 x 4 Irã
Brasil 3 x 1 Holanda
Brasil 3 x 2 Grã-Bretanha
Sobre o Futebol de Sete
De acordo com o site do Comitê Paraolímpico Brasileiro, o Fut-7 é praticado somente por atletas com paralisia cerebral. Segue as regras da FIFA, com adaptações feitas sob a responsabilidade da Associação Internacional de Esporte e Recreação para Paralisados Cerebrais (CP-ISRA). O campo tem, no máximo, 75m x 55m, com balizas de 5m x 2m e a marca do pênalti fica a 9,20m do centro da linha de gol. Cada equipe tem sete jogadores em campo (com o goleiro) e cinco reservas. A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com intervalo de 15. Não há impedimento e a cobrança da lateral pode ser feita com apenas uma das mãos, rolando a bola no chão. Todos os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral, ou seja, são todos andantes.
Classificação funcional
Os jogadores são distribuídos em classes de 6 a 8, de acordo com o grau de comprometimento de cada um. Novamente, vale a regra de quanto maior a classe, menor o comprometimento físico do atleta. Durante a partida, o time deve ter em campo, no máximo, dois atletas da classe 8 (menos comprometidos) e, no mínimo, um da classe 6 (mais comprometidos). Os jogadores da classe 6 são os que têm o maior comprometimento físico. Segundo o site do CPB, a paralisia cerebral compromete de várias formas a capacidade física dos atletas, mas, em 45% dos indivíduos, a capacidade intelectual não é comprometida.
Pequeno histórico
A Associação Internacional de Esporte e Recreação de Paralisados Cerebrais (CP-ISRA) foi fundada em 1978, mesmo ano em que surgiu o futebol para pessoas com este tipo de deficiência. Edimburgo, na Escócia, foi palco das primeiras partidas. A primeira Paraolimpíada em que a modalidade esteve presente foi a de Nova Iorque, em 1984. A partir daí, o emocionante esporte não deixou de fazer parte dos Jogos.
Ivaldo Brandão trouxe o Futebol de Sete para o Brasil em 1989 e escolheu o Rio de Janeiro como cidade-sede da Ande. Em Barcelona-92, o Brasil estreou nos Jogos Paraolímpicos e ficou em sexto lugar no geral. A Paraolimpíada de Atlanta-96 foi quando a seleção teve sua pior campanha, pois ficou na última colocação em seu grupo e na penúltima na classificação geral.
Em Sydney-2000, o Brasil conquistou a medalha de bronze. Nos Jogos de Atenas-2004, levou a prata ao perder para a Ucrânia na decisão.
Rio, 16 de maio de 2008 |