IBDD
Núcleo de defesa de direitos
Núcleo de esportes
Núcleo de mercado de trabalho
home
notícias
seja parceiro
acessibilidade
apoio à pessoa
fale conosco
prêmios
Item: IBDD - Notícias

 

Uma dura lição de vida

Michel Larose

Le Journal de Montréal, 04/05/2008, 08h52:

Paraplégico depois de uma perda de controle do seu carro, Michel Felteau precisou de um segundo acidente para entender que dirigir e álcool não podem estar juntos.

O extraordinário depoimento de um atleta paraolímpico, que participou dos Jogos de Atenas e pretende participar dos de Pequim. Sua história será levada aos alunos das escolas de sua cidade no Canadá.

Mas antes de participar dos Jogos Olímpicos, Michel Felteau percorreu um longo caminho. Há muitos anos, em 1990, Michel amava ir em todos os bares da cidade.

Bêbado no dia 6 de abril, por volta das 4 horas da manhã, ele quis voltar logo pra casa porque tinha trabalho às sete e meia na fábrica.

Correndo ele passou em cima de uma lombada de gelo. E foi então que aconteceu o drama: o caminhão fez um cavalo de pau, e ele foi jogado a 30 metros de distância. "Quando eu acordei, não senti as pernas, mas achava apenas que a circulação não estava funcionando". No dia seguinte, a notícia: o médico lhe disse que ele tinha duas vértebras quebradas, a medula seccionada e nunca mais poderia andar. Ele tinha 23 anos.

"Um ano mais tarde, saindo do instituto de reabilitação, foi que me dei conta. Nada no cotidiano seria como antes."

A descida

Durante os seis anos seguintes, ele afundou no álcool e nas drogas. "Eu já consumia antes do acidente, mas depois, eu simplesmente vivia em outro planeta. Eu estava revoltado, eu não me importava com nada".

Michel Felteau voltou a dirigir e voltou ao caminho dos bares. O inevitável aconteceu: um outro acidente, no fim da tarde, embriagado. Dessa vez ele bateu em outro carro e o ocupante quebrou a perna. "Os policiais me colocaram numa cela durante 6 horas, sem água nem banheiro. Quando saí da delegacia, me dei conta do que tinha feito. A partir de então, parei tudo - bebidas e drogas".

A vida

Ele redescobriu um sentido para a vida e apesar de sua deficiência, compreendeu que tinha sorte de não ter matado ou machucado mais seriamente no trânsito. Michel se dedicou ao atletismo, batendo inclusive o recorde canadense de 10.000 metros.

"Acredito que hoje a pessoa mais feliz com a minha transformação como indivíduo é a minha mãe. Eu a fiz ver todas cores."

Esta é com certeza sua maior conquista.


Rio, 16 de maio de 2008