 |

Maria do Céu, presidente da Adefap, na sua visita ao IBDD
A visita de Maria do Céu
Representante de ONG de Macapá conhece o trabalho do IBDD
PAULO VITOR FERREIRA
Um sorriso celestial. Esta é a característica mais aparente da cadeirante com seqüelas de poliomielite, Maria do Céu, presidente da Adefap (Associação dos Deficientes Físicos do Amapá). Paraense criada em Macapá, ela gostou da sugestão do senador José Sarney, integrante dos Conselhos Consultivo e Fiscal do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e visitou o IBDD na semana passada. Acompanhada pelo sociólogo João Carlos Farias, do Céu, como prefere ser chamada, observou o trabalho de todos no Instituto, acompanhou de perto as atividades de cada setor da ONG. Maria aproveitou para falar de algumas dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência física.
“Falta acessibilidade em Macapá. A cidade não foi construída para os deficientes físicos, cadeirantes ou não. A Adefap não tem renda própria. Porém, a prefeitura de lá e o governo do Amapá estão nos apoiando e aos poucos conseguimos pequenas, mas importantes vitórias”, afirmou do Céu, que passa por mil e uma dificuldades. “O governo nos ofereceu uma casa, mas o Ministério Público vetou as atividades da ONG no local. Estamos parados há um ano por causa desse impasse”, disse.
Orgulhosa por ter carregado a tocha parapan-americana em Macapá, quando lutava contra um câncer de útero (batalha vencida por ela após a quimioterapia), teve até a idéia de criar um time de Futebol de Sete ao descobrir através da equipe do IBDD, comandada pelo técnico da seleção brasileira da modalidade, Paulo Cruz, que as pessoas com paralisia cerebral – em grande parte dos casos – possuem ‘apenas’ comprometimento físico e não intelectual.
“Eu pensava que o PC era deficiente mental. Vi que não é. Estou feliz com essa descoberta”, disse do Céu, mostrando humildade e alegria por aprender. Mesmo sem conhecer os verdadeiros comprometimentos desse tipo de deficiência, a Adefap ajudou um paralisado cerebral, aprovado em concurso público, a ser aceito como professor de matemática:
“Ele foi aprovado com louvor e depois disseram que era inapto ao trabalho. A Justiça decidiu a favor dele. Fiquei emocionada com esse fato.”
A Adefap já tem uma equipe de basquete de cadeirantes. Apesar de o time ter participado dos três últimos regionais e do Amapá ter sediado a competição em 2007, as dificuldades continuam imensas. “Nossas cadeiras estão amontoadas em um banheiro da faculdade pública da cidade, que tenta nos apoiar, cedendo espaço para os treinos. Tentamos também nos preparar para competições futuras em ginásios de colégios”, disse.
Mesmo com todos esses problemas, do Céu vê uma luz no fim do túnel. “Lutamos por transporte e acessibilidade arquitetônica: prédios de órgãos públicos e calçadas adaptadas para os cadeirantes. A situação melhora aos poucos. Veja que 12 empresas de ônibus estão em processo de adaptação dos veículos. Além disso, as secretarias da Prefeitura capacitam seus funcionários para o atendimento aos surdos e cegos. Nosso treinador de basquete foi cedido pelo Governo estadual. Mudanças já acontecem”, verbalizou do Céu, esperançosa em um futuro melhor.
Rio, 26 de maio de 2008 |