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Acessibilidade na Copa de 2014
A Rádio Nacional, de Brasília, entrevistou Andrei Bastos sobre o Projeto Mobilidade do Ministério do Turismo
(Clique aqui e ouça a entrevista)
Transcrição:
Válter – Nós vamos conversar então com o Andrei Bastos, assessor de Comunicação do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Vai conversar conosco justamente sobre essa entrevista que fizemos com a ministra Martha Suplicy. Senhor Andrei, muito bom dia.
Andrei Bastos – Bom dia, Válter.
Válter – Obrigado ao senhor por estar conosco. Pois bem, o Ministério do Turismo já entregou, portanto, ao Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, como também à ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, o Projeto Mobilidade Urbana para a Copa do Mundo de 2014, que vai ser sediada aqui pelo nosso país. Então, só se fala em arregaçar as mangas, começar a trabalhar, preparar o país para poder receber um evento dessa envergadura. No campo justamente dos direitos da pessoa com deficiência, qual a avaliação do senhor e qual a preocupação pontual em cima desse projeto?
Andrei – Válter, em primeiro lugar, eu quero parabenizar a ministra Martha pela iniciativa do Ministério do Turismo. Acho que o Brasil está precisando mesmo de um avanço na questão da mobilidade, e se tudo isso que está previsto no projeto dela realmente acontecer, o Brasil já não será mais o país do futuro, ele terá chegado ao futuro. Agora, o que nos preocupa, o que preocupa às pessoas com deficiência é que um projeto de tal magnitude precisa incorporar corretamente os parâmetros de acessibilidade. Mobilidade é sinônimo de acessibilidade. Acessibilidade para as pessoas com deficiência, para as mulheres grávidas, enfim, para os idosos, para todo mundo. Isso é facilmente resolvido na própria esfera do Governo Federal, que tem a CORDE e o CONADE, que são organismos muito bem preparados para assessorar o Ministério do Turismo e todas as cidades brasileiras envolvidas nesse projeto. Isso quer dizer o quê? Que quando você projeta, antes de construir qualquer coisa - um estádio de futebol, um equipamento qualquer -, se você já incorpora esses parâmetros de acessibilidade que estão nas normas técnicas da ABNT, isso não representa custo adicional nenhum porque você já constrói de acordo com esses parâmetros. E a ministra falou algumas coisas que eu gostaria de ressaltar. Ela falou da lição aprendida com o Rio de Janeiro nos Jogos Parapan-americanos e falou da distância entre os estádios, os locais de competição. Nós esperávamos aqui no Rio que o principal legado que os Jogos Parapan-americanos deixassem para a cidade fosse um sistema de transporte coletivo acessível, o que não aconteceu. Então, o que eu mais quero, e que nós, pessoas com deficiência, mais queremos é que o Governo Federal cale a nossa boca quando nós reclamamos e chamamos a atenção para a questão do transporte acessível e dos outros pontos de acessibilidade.
Válter – Perfeito. Agora, é claro, quando se debate essa questão, e tem toda essa proposta, qual é a força necessária para que tudo que está colocado nessa proposta venha a ser de certa forma concluída, concretizada. É aquela história, né? Querer é poder, mas tem que se lutar bastante. Quais são, na avaliação do senhor, as principais ferramentas para se fazer valer essa proposta?
Andrei – Eu diria que são motivações. Da mesma forma que um empreendimento como a Copa do Mundo atrai muitos investimentos, a integração das pessoas com deficiência nesse mercado, nesse conjunto, é uma coisa também atraente, que o diga a FEBRABAN, que já determinou a acessibilidade em todas as agências bancárias do Brasil porque constatou que as pessoas com deficiência movimentam mais de 100 bilhões de reais por ano no nosso país, ou seja, as pessoas com deficiência também são um segmento atraente em termos de investimentos e ganhos financeiros. Então, eu penso que mais do que ferramentas, porque as ferramentas estão aí, são as normas da ABNT, é o CONADE, é a CORDE, são as instituições todas das pessoas com deficiência que podem colaborar nesse processo de acessibilidade, de implementação da acessibilidade nos equipamentos para a Copa. Agora, a grande motivação, sem dúvida nenhuma, e a que motiva essa iniciativa do Ministério do Turismo, é o ganho financeiro que o país pode ter, e eu acho muito importante o que a ministra colocou, quer dizer, até 2014 o Governo vai mudar, essa coisa toda, pode ser diferente, mas que isso então seja estabelecido como uma política de Estado para que não sofra influências de um novo dirigente, um novo governante.
Válter – O segmento está mobilizado para fazer valer toda essa proposta?
Andrei – Sem dúvida nenhuma. O segmento das pessoas com deficiência vem amadurecendo muito nos últimos anos na sua prática política, no entendimento de que é preciso juntar esforços, se unir em torno dos objetivos comuns para que seja possível conquistar o espaço que lhe é devido, os direitos que lhe são devidos. Agora, eu gostaria de dizer para a ministra Martha, em defesa de São Paulo, que apesar dos congestionamentos, é uma cidade que vem avançando bastante nessa questão da acessibilidade e a quantidade de ônibus acessíveis hoje é muito maior, e de outros equipamentos urbanos também. Está deixando o Rio, que é a minha cidade, na poeira, o que é uma pena.
Válter – Bom, para fechar, senhor Andrei, qual é mesmo a população existente em nosso país de portadores de necessidades especiais?
Andrei – O IBGE no Censo 2000 determinou que 14,5% da população brasileira possuem algum tipo de deficiência. Isso significa algo em torno de 25 milhões de pessoas, o que sem dúvida nenhuma, não é um contingente desprezível.
Válter – Tá certo. E quem quiser obter mais informações junto ao Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, existe um endereço eletrônico, senhor Andrei?
Andrei – Claro, o nosso site é www.ibdd.org.br e o nosso telefone é 21 3235-9290.
Válter – IBDD é de Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Válter – Bom, senhor Andrei, foi um prazer conversar com o senhor, agradeço pela sua atenção.
Válter – Válter, eu é que agradeço a oportunidade e agradeço aos ouvintes da Revista Brasil.
Valter – Um bom dia para o senhor, muito obrigado.
Andrei – Bom dia.
Rio, 26 de maio de 2008 |